O Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico moderno da calvície é o Megatransplante Folicular. Chamamos a matriz de um pêlo de folículo . Chamamos de Unidade Folicular a uma estrutura microscópica que se compõe de um a quatro folículos acompanhados pelos micro-vasos sanguíneos e linfáticos que nutrem os folículos e pelas glândulas sebáceas que fornecem a oleosidade ao cabelo e à pele.

O transplante folicular é a transposição de unidades foliculares de uma área doadora, que fica nas partes posterior e lateral da cabeça, para uma área receptora, calva, que se situa na parte frontal e superior da cabeça. Essa cirurgia não cria nenhum fio novo de cabelo. Ela redistribui. Retira fios com suas matrizes de uma área e os transplanta em outra. Como a área doadora é uma faixa de 1 a 1,5 centímetro de largura, quanto maior for a área calva receptora mais afastados terão que ficar os fios. Por esse motivo muitas vezes duas sessões cirúrgicas serão necessárias para maior densidade de cabelos.

A densidade da área doadora varia geralmente entre 70 e 100 unidades foliculares (UFs) por cm2. Quando o cabelo é muito denso, além de um grande número de UFs por cm2 a maioria delas tem 3 e 4 fios (cerca de 70%), e a minoria tem 1 ou 2 fios. Quando as áreas posterior e laterais da cabeça têm menor densidade (cabelo mais ralo) a contagem revela um número menor de UFs por cm2 e a relação pode ser inversa, ou seja, a maioria ser de 1 e 2 fios e a minoria ser de 3 e 4 fios.

Isso pode ser constatado nas fotos das áreas doadoras abaixo, que sempre tiramos para o planejamento da cirurgia com lentes especiais, que marcam um cm2. Um paciente tem alta densidade, com muitas UFs e a maioria delas com mais fios de cabelo e o outro tem densidade menor porque o número de UFs é o mesmo mas as UFs são menores, têm menos cabelo.

Alta densidade da área doadora
 
Baixa densidade da área doadora



Por essa razão a área calva ficará com maior densidade após o transplante quando o número de UFs e o número de fios delas for grande na área doadora. Geralmente a densidade obtida em uma sessão de transplante é cerca de 25 a 30% da densidade da área doadora. Entre 50 e 60% da densidade original é o percentual de cabelos conseguido após a segunda sessão, o que já é suficiente para um bom resultado visual. Claro que, se o paciente desejar maior densidade pode transplantar mais fios entre os anteriores em outras sessões.

A densitometria digital da área doadora, para contagem das UFs e de seu volume é tempo importante do planejamento cirúrgico e necessária para o paciente compreender o resultado que será esperado.

A seguir fazemos a medida da área calva a ser tratada. Esta é quase sempre maior e por isso, e pela impossibilidade técnica de transplantar de 70 a 100 UFs por cm em uma sessão, é que o resultado de uma sessão em áreas maiores é animador mas, na maioria dois casos, uma segunda sessão é necessária. Podemos, com essas medições, saber quantas UFs podem ser conseguidas na área doadora e calcular o comprimento da fita de pele a ser retirada para isolar número suficiente de UFs para a área calva.

A Calvície

A calvície não ocorre só nos homens. Existem alopecias (perdas de cabelo) por varias causas (traumáticas, cirúrgicas, tumorais e infecciosas, além da alopecia areata) mas só uma é chamada de calvicie, a que tem o complicado nome de Alopecia Androgenética. Ela é assim chamada por ser causada por fatores hormonais androgênicos (derivados de hormonio masculino) e ter uma origem também genética. Algumas mulheres também apresentam a alopecia androgenética mas de uma forma diferente dos homens. É geralmente uma calvície difusa na forma de uma rarefação (graus I e II) em toda o topo da cabeça menos na linha frontal e raramente chega a formar áreas inteiramente calvas(grau III).

Fases de crescimento do cabelo

O homem, na maioria das vezes, não vê seu cabelo cair. Ele vai vendo o cabelo sumir, não nascer após o período de repouso. Nossos fios de cabelo estão em fases distintas de crescimento. Na fase anágena, de crescimento normal, estão a maioria dos fios. Outros estão na fase catágena, quando vão ficando mais frágeis enquanto o folículo vai se preparando para entrar em repouso, sofrendo uma atrofia temporária. Nessa terceira fase, a telógena, o folículo fica mais curto, mais superficial, vivo mas atrofiado, sem produzir pêlo por cerca de três meses. Na maioria dos homens que caminham para a calvície os cabelos vão ficando indefinidamente na fase telógena e não voltam a crescer normais, apresentando-se no máximo bem curtos e finos. São pêlos que não conseguem atingir a fase adulta e crescer grossos e normais. Por isso o homem vai vendo, com angústia, gradual e inexoravelmente, seus cabelos, antes normais, irem sumindo ao longo de anos. Os folículos atrofiam e não saem mais da fase de repouso.


A Causa da calvície

A causa hoje aceita para esse fenômeno é genética e hormonal. Homens portadores do gen ou gens da calvicie apresentam folículos que não saem da atrofia da fase telógena, por influencia de um hormônio derivado da ação da enzima 5-alfa-redutase sobre a testosterona, chamado de 5-alfa-dihidro-testosterona, ou 5-alfa-DHT.

Os cabelos de trás e parte da lateral da cabeça não caem porque esses não são geneticamente determinados a sofrer essa influencia hormonal. por isso são escolhidos para serem transplantados. e não cairão na área receptora porque carregam consigo sua resistência genética à 5-ALFA DHT.


A queda dos cabelos do homem

No homem a rarefação vai atingindo progressivamente as áreas frontal, o topo da cabeça e a occipital superior, ou isoladamente uma delas, até deixar, na maioria das vezes a área lisa, completamente sem cabelos adultos apresentando, muitas vezes, uns fios miniaturizados, finos, que chamamos de "pelos velus".

Existem homens em que a progressão é invertida. Começam a ficar calvas a “coroa’ e a alopecia vai migrando para a frente. Existem outros que perdem cabelos apenas na frente, ou apenas no topo, ou apenas na coroa. A razão disso é uma definição genética, em que um número maior de receptores hormonais, ou de sensibilidade desses receptores ao DHT, existe numa área mais localizada da cabeça. A hereditariedade é a determinante se ficaremos calvos, se será em toda a parte superior da cabeça ou em uma área apenas, e de qual grau será essa alopecia. O outro fator, o hormonal (DHT), existe em todos os homens, e é uma substância derivada do principal hormônio masculino, a testosterona.


Os graus de calvicie

Os graus variam do I (menor intensidade nas "entradas') até o grau VII (calvície completa com baixa das áreas laterais e posterior)e são mostrados na figura abaixo. Existem ainda variantes dos graus II a V, mostradas na segunda figura.




O Micro-transplante ainda é soberano no tratamento da calvície, ainda mais agora com a naturalidade conseguida pelas mega-sessões.

O Mega-Transplante

O Transplante de Unidades Foliculares

O transplante de Unidades Foliculares é uma evolução natural da técnica de Micro-Transplante. As sessões são chamadas de Mega-sessões quando um total de 1000 a 2000 Ufs são transplantadas e de Giga-sessões quando são mais de 2000 UFs. Inicialmente transplantava-se até 500 enxertos com uma pequena equipe. Hoje, além do cirurgião e do anestesista (para monitorar uma sedação prolongada), cerca de 5 a 6 assistentes e técnicas de separação microscópica das UFs são necessários. Com essa equipe bem treinada, sessões de grande número de transplantes podem ser realizadas e um crescimento de 3000 a 7500 fios de cabelo pode ser conseguido sem aumentat excessivamente o tempo cirúrgico.

Homens ou mulheres podem ser operados. Ótimos resultados também são conseguidos na correção de perda de cabelos nas têmporas e costeletas causadas por cirurgias plásticas da face, assim como na correção de cicatrizes e outros tipos de alopecias. A técnica também é utilizada na reconstrução de sobrancelhas e inclusive para aumento da densidade dos pelos pubianos.


A Técnica

A técnica mais utilizada é a FUT (follicular unit transplantation), pois é mais rápida e torna possível um transplante mais numeroso, ou seja, cobrir área mais extensa. A outra técnica é conhecida como FUE (follicular unit extraction), é complementar à primeira e melhor empregada no transplante de pequenas áreas, pois é mais demorada. Na primeira (FUT) uma fita de pele com 1 a 1,5 cm de largura e comprimento de 25 a 28 cm, na parte posterior da cabeça indo até acima das orelhas pode ser retirada e a pele suturada de uma forma que deixa cicatriz pouco perceptível, chegando a nascer muitos cabelos na cicatriz. Essa área, na maioria dos casos, não tem tendência genética a sofrer influência da 5-alfa-DHT e a perder cabelo, e por isso é a ideal para doar as unidades foliculares. Estas são separadas por dissecção realizada pela equipe em microscópios estereoscópicos, enquanto o cirurgião e auxiliares as implantam em minúsculas incisões feitas na área calva com uso de micro-lâminas e de agulhas especiais, com a ajuda de lupas de grande aumento. Na segunda (FUE) as unidades foliculares são extraídas aleatoriamente da parte de trás da cabeça, que deve ser raspada, usando-se “punchs” de 0,8 a 1 mm para cortar a pele em torno da unidade folicular, e após isso extrair a UF com pinças e agulhas. Nessa técnica restam cicatrizes de 1 mm de diâmetro em número igual ao de UFs transplantadas ao invés de uma cicatriz única e linear. Um sofisticado instrumental é utilizado para permitir a introdução das UFs nas incisões de 0,7 mm a 1,2mm feitas na área alva, com a inclinação adequada a cada área da cabeça.

Para fins de compreensão melhor nosso site mostra fotos de partes da técnica FUT, que mais utilizamos.

Excisão de um trecho de 7 cm da longa fita doadora. Cada segmento desses é sucessivamente dissecado pela equipe de microscopia, após o implante das UFs dissecadas do segmento anterior. Essa retirada, usando lupas de grande aumento, permite não lesar nenhuma matriz pilosa da fita doadora.

A área doadora é suturada progressivamente pela técnica de sutura tricofítica após a retirada de cada segmento, conforme fotos abaixo. A cicatriz normalmente é fina e só perceptível se o paciente raspar a cabeça.

O tecido retirado fica sempre úmido e mantido a 4 gráus de temperatura. Cada segmento de pele doadora é primeiro dissecado em varias pequenas fitas de modo a mostrar as UFs e o espaço entre elas, como se vê na pequena fita da foto direita abaixo.

Abaixo você pode assistir um breve vídeo que mostra a forma como as unidades foliculares são separadas da pele doadora.

Logo que as primeiras UFs são preparadas o implante na área calva se inicia. As UFs separadas não ficam mais de duas horas fora do corpo, o que possibilita alta taxa de sobrevivência e crescimento de cabelo.

As unidades foliculares de um a até quatro fios de cabelo (raramente encontram-se algumas com 5 fios em pacientes que têm alta densidade), prontas para o transplante, tem o aspecto mostrado na figura abaixo.

As fotos abaixo mostram o final do transplante (1a sessão) em dois paciente.

A mínima porção de epiderme que resta em cada UF transforma-se em diminuta crostra ou casquinha escura, que cairá entre 10 e 12 dias. Alguns fios que vão nas UFs transplantadas caem junto com as casquinhas, outros ainda “crescem” um pouco, mas geralmente a maioria entra em repouso por uns 3 a 4 meses (como uma muda de planta que, ao ser mudada de local fica meio murcha) quando começa a crescer vigorosamente. Hoje se sabe que ainda há crescimento de fios transplantados até um ano e meio depois do transplante, mas a maioria já está crescida em 6 a 8 meses.

O Pós-Operarório

Terminada a cirurgia não fazemos nenhum curativo. Cerca de duas a três horas após, cessado o efeito dos sedativos, o paciente pode ter alta, pois é uma cirurgia sob anestesia local em regime ambulatorial, ou Day Clinic. Deverá fazer repouso relativo nas primeiras 24 horas, e, de preferência, usar compressas com soro frio pra manter a umidade da epiderme. Isto diminui a formação de crostras e a formação de edemas. Fornecemos uma testeira de gel, em nosso kit pós-operatório, para usar gelada na testa, também com o objetivo de evitar edema (inchação) na testa e pálpebras. Deitar com a cabeça elevada também é recomendável. Sessões de drenagem linfática podem ser feitas por nossa fisioterapeuta para também evitar edema na testa.

O trabalho, desde que não exija esforço físico, é permitido. A área doadora e as demais não operadas podem ser lavadas normalmente. A área transplantada deve ser lavada já no dia seguinte com um sabonete líquido medicinal, que também fornecemos no kit pós-operatório. A lavagem é feita apalpando com leves toques, sem esfregar, e o chuveiro não deve jogar jato forte na primeira semana. O condicionador já pode ser usado no terceiro dia. Não usar secador quente nessa fase.

Os fios de cabelo transplantados parecem crescer por algum tempo, mas são expulsos em sua grande maioria até o final do primeiro mês. As raízes permanecerão em repouso (na chamada fase telógena) e começam a aparecer após 3 a 4 meses. A maioria deverá surgir entre 3 e 6 meses, mas já está provado que o número de fios aumenta ainda até 18 meses após a cirurgia. Uma segunda sessão pode ser realizada após 8 meses da primeira.

Complicações

Complicações são raras, mas as mais comuns e não são graves, são pequenas foliculites. São esporádicas, como uma “espinha” na pele enxertada, causadas pela acumulação de sebo das glândulas sebáceas das UFs transplantadas, que às vezes não consegue sair pelo poro antes do crescimento dos novos cabelos. Quando uma dessas acontece é só passar álcool, e ela pode ser drenada com a ponta de uma agulha de injeção, e após isso passar antibiótico tópico. Caso você sinta uma dormência no couro cabeludo acima da sutura, ou cicatriz da área doadora, na parte de trás da cabeça, não se assuste. É normal e irá se resolver após os primeiros 6 meses.

Infecção é ocorrência muito rara em couro cabeludo, e nunca tivemos nenhum caso, mas é necessário evitar contaminação com mãos sujas e ambientes poeirentos e infectados na primeira semana. Nesse período o paciente toma um antibiótico que também vai no nosso Kit pós-operatorio. Se for necessário use um boné largo e escuro, que faz parte do Kit, que não toque na região enxertada em caso de caminhadas ao sol ou locais empoeirados. É ideal que os transplantes fiquem expostos a maior parte do tempo ao ar livre.

Resultados

Não mostramos fotos de resultados de nossos pacientes em nosso site, cumprindo portaria do Conselho Federal de Medicina, por ser atitude considerada antiética. As fotos abaixo são do próprio cirurgião, Dr. Luiz Pimentel, para exemplificar um resultado possível de ser conseguido. As variações individuais poderão proporcionar resultados com menor ou maior densidade de cabelos do que o resultado aqui mostrado.

(passe o cursor sobre a foto para ver o resultado)

Você poderá ter a oportunidade de conhecer melhor alguns resultados possíveis com fotos, durante uma consulta pessoal ou, em alguns casos, durante uma consulta on line, caso resida longe em outros Estados ou Países.

Para isso preencha seus dados na página da seção CONTATO, descrevendo seu caso. Responderemos o mais prontamente possível. Posteriormente podemos examinar suas fotos, que podem ser enviadas por email, e também lhe dar acesso a um link com fotos de resultados possíveis semelhantes ao seu, além de descrever a melhor indicação cirúrgica para seu caso.

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