A História da Cirurgia Plástica



Cirurgias plásticas na antiguidade

A Cirurgia Plástica, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é tão moderna . Ainda hoje executam-se técnicas que já eram realizadas, por exemplo, para reconstrução do nariz, muito tempo antes de Cristo, na Índia, pelo cirurgião Susruta Samhita. As técnicas realizadas por ele chegaram ao nosso conhecimento quando em 1597 o italiano Tagliacozzi as publicou após o encontro de antigos papiros que as relatavam detalhadamente. Entretanto como especialidade médica é muito mais recente porque, como todos os ramos da cirurgia, só após o advento da anestesia, e, mais precisamente, após a segunda guerra mundial quando muitos avanços foram feitos, como a descoberta dos antibióticos, passou a ser possível a realização de cirurgias mais longas com segurança e sem o risco de infecções. Cirurgias reparadoras, principalmente de defeitos causados pelas armas de fogo, cada vez mais mutilantes, foram se aperfeiçoando após a primeira guerra mundial e principalmente após a segunda, e na primeira metade do século 20 pouco se fazia para corrigir defeitos estéticos, fazendo-se até mal juizo do cirurgião que executava cirurgias "apenas" para modificar a aparência. As cirurgias plásticas eram realizadas por qualquer cirurgião, eram poucos os que gostavam dessa prática e ainda não havia o conceito de especialista . A especialidade, reconhecida como tal, surgiu no final dos anos 40.

Cirurgia reparadora e cirurgia estética

Ainda existe a idéia de que existem duas cirurgias plásticas : a reparadora e a estética. Na realidade a especialidade é uma só e esses dois ramos entrelaçam- se profundamente. É impossível separar o cunho estético da cirurgias reparadoras e o cunho reparador das cirurgias consideradas estéticas. Nenhum cirurgião procura reparar um defeito despreocupado em conseguir o melhor resultado estético e nenhuma cirurgia estética é realizada sem que represente uma profunda reparação de um defeito para o paciente. Por isso a formação completa de um cirurgião plástico exige a residência de dois anos em Cirurgia Geral e posteriormente mais três anos em Cirurgia Plástica. É necessário tanto tempo assim para que seja possível conhecer e praticar cirurgias reparadoras em todo o corpo. Elas são centenas e corrigem os defeitos congênitos e os adquiridos por traumas, queimaduras e defeitos causados pelo tratamento de tumores através de enxertos de pele, ossos, cartilagens, aponeuroses e gordura e da transposição de tecidos e estruturas mais complexas pelo uso de retalhos e inclusive de retalhos micro-cirúrgicos . Se fosse apenas para aprender cirurgias estéticas , cerca de uma dezena, não levaria tanto tempo.


Atividade de meio

O importante é compreender que Cirurgia Estética é aquela que é feita em uma estrutura normal mas que o paciente deseja modificar. Por exemplo em caso de seios normais em tamanho mas que a paciente os deseja maiores ou menores. Na maioria das vezes não é isso que acontece. Geralmente os seios ou são muito grandes e causam grande incômodo ou são muito pequenos (hipomastia) por uma insuficiência de desenvolvimento, tornando necessário seu aumento para conseguir mamas de tamanho normal. Reparar um abdômen que foi deformado em sua musculatura e ficou com excesso cutâneo pela grande distensão da pele causada pela gravidez não pode ser considerado uma cirurgia estética porque a intervenção não será realizada em uma estrutura anatômica normal e sim deformada pelas gestações, e o que se pretende é sua volta à normalidade. Aspirar um culote grande também não é uma cirurgia meramente estética pois o normal é que a região trocantérica não tenha essa deformidade. Pode-se aplicar esse raciocínio para quase todas as cirurgias que são geralmente consideradas apenas estéticas. Quase sempre não são. POR ISSO A CIRURGIA PLÁSTICA É UMA ATIVIDADE DE MEIO , COMO TODAS AS OUTRAS ATIVIDADE MÉDICAS, E NÃO DE FIM COMO MUITOS AINDA PENSAM, E ESTÁ SUJEITA A TODAS AS INTERCORRENCIAS NORMAIS A QUALQUER CIRURGIA E QUE PODEM INFLUENCIAR NO RESULTADO FINAL.